Blogosfera policial cresce no Brasil e vira estudo da ONU
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Dificuldade dos oficiais para se manifestar na estrutura rígida é um dos aspectos apontados para o crescimento
Por Mário Sérgio Lima – Agência Estado
SÃO PAULO – O número de blogs feitos por policiais vem aumentando expressivamente no País. Desde 2006, ano da criação do primeiro deles, o “Diário de um PM”, do policial Alexandre Souza, já entraram no ar 65 sites, ainda hoje ativos, segundo levantamento do blog “Abordagem Policial”, espalhados por 14 Estados brasileiros. Entre os motivos da proliferação desses blogs estão a dificuldade que os policiais têm para se manifestar dentro da estrutura rígida de disciplina e hierarquia da corporação e a facilidade da construção dos diários virtuais. O crescimento chamou atenção da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que resolveu fazer um estudo para ver no que esses blogs podem contribuir para a discussão de soluções para a segurança pública. O trabalho está em andamento e é feito em parceria com Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro.

“Já era blogueiro, então já conhecia o meio. E havia uma necessidade de expressão e não encontrávamos um ambiente próprio”, conta Danillo Ferreira, um dos autores do blog “Abordagem Policial”. De acordo com a socióloga Silvia Ramos, que está coordenando a pesquisa da parceria com a Unesco, esse é o primeiro estudo sobre essa nova tendência na cobertura de assuntos relativos à segurança e à criminalidade. “O que me chamou a atenção foi a maneira como muitos blogs se posicionavam. Eles queriam falar, chamar a palavra, dar a versão deles sobre os acontecimentos”, explica a socióloga.
“Queremos entender como o fenômeno dos blogs pode ajudar na definição da agenda de discussões sobre segurança, qual o poder multiplicador por trás deles”, explica Guilherme Canela Godoi, coordenador do setor de comunicação e informação da representação da Unesco no Brasil.
Uma característica marcante do movimento de blogueiros policiais é a busca pela integração. Praticamente todos os blogs policiais têm os outros policiais blogueiros como público. Souza, o pioneiro, cunhou a expressão “Blogosfera Policial” para denominar o conjunto de blogs cujos autores são policiais, e a contagem dos blogs ativos é compilada pelo “Abordagem Policial”. “Acho que em nenhuma outra profissão há essa ligação e união entre os blogueiros, como entre os policiais”, aponta Ferreira. Para Silvia Ramos, há ainda outra explicação para o fenômeno crescente: “Há um choque entre os policiais novos entrando nas corporações e a tradição da polícia”, afirma.
Além da necessidade de expressão, a repercussão possibilitada pela internet é também motivadora. “Queria dar mais visibilidade à minha visão sobre a administração da Segurança Pública no Rio, ainda na época do Marcelo Itagiba (deputado federal e secretário de segurança durante o governo Rosinha Garotinho)”, afirma o major Wanderby Medeiros, do blog com seu nome.
O blog de Wanderby é um dos mais ácidos nas críticas à administração do Rio. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, é alvo de diversas críticas no blog. As enquetes feitas por Wanderby também são fortemente críticas: questões propostas variam desde “Houve fraude na eleição de (Eduardo) Paes?” a “O delegado Beltrame deve ser exonerado?”. Sobram farpas para o governador Sérgio Cabral. O major foi denunciado por críticas ao chefe do Estado Maior, coronel Antônio Carlos Suárez David, e ao comandante-geral da PM do Rio, Gilson Pitta Lopes. “Meu blog é um retrato do que eu penso”, afirma.
Embora a pesquisa da Unesco ainda esteja no começo, duas tendências já se destacam entre os blogs de policiais, segundo Silvia Ramos: existem blogs mais rebeldes, com críticas ao comando e revolta por salários e condições de trabalho, e aqueles que privilegiam “serviços”. “No blog ‘Diário de um PM’, por exemplo, há muitos comentários em postagens sobre concursos da PM e cursos voltados aos policiais”, afirma. Ela também observa que vários dos blogs de policiais acabam se limitando a reproduzir notícias veiculadas na imprensa. “Não há em alguns deles uma produção própria”, observa.
Censura
A temática dos blogs é variada, embora a discussão da questão salarial seja um fator em comum na maioria deles. Outro tema recorrente é a censura a que são submetidos os blogs policiais. O Blog “Abordagem Policial”, por exemplo, tem posts discutindo as restrições a que são submetidos os militares e defendendo maior liberdade de manifestação. O capitão da PM do Rio Luiz Alexandre também discorre sobre o tema, embora com tom mais crítico. Luiz Alexandre, que já foi chamado a prestar esclarecimentos à Corregedoria da PM por conta de postagens no blog, não poupa críticas a Beltrame em sua página. O governo do Rio também é duramente criticado em páginas mantidas anonimamente por policiais. A maioria dos blogueiros policiais, contudo, assume nome e posição na corporação. Há ainda o blog “Depoimento Anônimo”, cujo autor se identifica apenas como “um escrivão de polícia”. A temática de seu site é contar casos do cotidiano de um escrivão.
Sobram também críticas para a cobertura que a imprensa faz sobre assuntos de polícia, como no blog “Crônicas de um Sargento de Polícia”, que também fala bastante das situações difíceis encontradas pelos policiais durante sua atuação profissional. Além de notícias sobre concursos da polícia e sobre eventos e cursos disponíveis para policiais, o blog “Diário de um PM” tem como um diferencial a contagem dos PMs mortos no Rio no ano. Já o “Diário do Stive” (com “i” mesmo) mantém uma tabela com dados sobre os salários de policiais pelo Brasil, abastecida com informações pelos agentes de todos os Estados.
“Desde que fiz meu blog pude conhecer PMs do Brasil inteiro”, afirma o soldado Robson Niedson, do blog “Diário do Stive”. Ele também tem um fórum dedicado às discussões relevantes para a categoria, como a questão salarial. “Ainda não tem a movimentação que eu esperava”, admite. No seu Estado, Goiás, a própria Polícia Militar tem um blog corporativo (o primeiro da América Latina), e o comandante-geral da PM do Estado, coronel Carlos Antônio Elias, também é blogueiro. “Isso acaba com a visão de que a liderança é ausente e traz um reflexo positivo da figura do comandante, reforçando o princípio comunitário da polícia. Estou tendo uma boa resposta da tropa”, afirma o coronel, sobre seu blog pessoal. Sobre a página corporativa, ele aponta que surgiu da necessidade de aproximar a PM do cidadão, criando um ambiente mais interativo. “Queremos implementar a polícia comunitária, mais próxima da população”, diz. Para Danillo Ferreira, é importante estimular mais policiais a usarem a ferramenta da internet para manifestação de opiniões.
Estudo
Para realizar o estudo, previsto para ser concluído em novembro deste ano, as pesquisadoras Silvia Ramos e Anabela Paiva vão estudar cada um dos blogs, analisando o conteúdo. Também estão previstos encontros de discussão: o primeiro foi realizado no dia 27 de março, organizado pelas embaixadas de Canadá e Estados Unidos, no Rio de Janeiro. O estudo será completado com entrevistas com os blogueiros.
A Unesco financiará o projeto. De acordo com Godoi, coordenador do setor de comunicação e informação da representação da Unesco no Brasil, a organização lançou um edital para a escolha do pesquisador que seria responsável por coordenar o estudo.
“Recebemos cerca de 15 a 20 interessados, e a professora Silvia foi a escolhida por causa do seu currículo e de seus estudos sobre relação entre mídia e violência”, explica Godoi. Segundo ele, os resultados obtidos na pesquisa irão ajudar a Unesco a determinar suas novas ações sobre discussão de segurança pública no País.
Links
http://veja.abril.com.br/agencias/ae/brasil/detail/2009-04-10-349225.shtml
http://www.abril.com.br/noticias/brasil/blogosfera-policial-cresce-pais-vira-estudo-onu-349224.shtml
http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/04/10/ult4469u39819.jhtm
http://www.brazilianvoice.com/feed/bv_noticias/Brasil/blogosfera_policial_cresce_no_pa.txt
http://tribunadonorte.com.br/ultimasnoticias/106231.html
http://www.bemparana.com.br/index.php?n=103763&t=blogosfera-policial-cresce-e-vira-estudo-da-onu
http://br.noticias.yahoo.com/s/10042009/25/manchetes-blogosfera-policial-cresce-no-pais.html
http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf?id=1121357
http://www.parana-online.com.br/editoria/pais/news/365854/
Parceria avaliará papel de blogs no debate sobre segurança pública
Brasília, 20/3/2009 – A Representação da Unesco no Brasil e o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (CESeC) firmaram parceria para a realização de pesquisa sobre a produção, quantidade, conteúdo e impacto dos blogs especializados em segurança pública. A investigação será o primeiro estudo em profundidade sobre a mais recente e relevante tendência na cobertura de politicas de segurança, polícia e criminalidade.
A pesquisa incluirá levantamento e análise de blogs, entrevistas com policiais blogueiros e jornalistas e a realização de debates. Um deles ocorrerá no II Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Vitória, de 1 a 3 de abril. Pouco antes, no dia 27 de março, um painel e uma oficina sobre o uso de novas mídias na cobertura da criminalidade integrarão o Seminário Internacional sobre Mídia e Violência, organizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro pelas embaixadas do Canadá e dos Estados Unidos, em parceria com a UNESCO no Brasil.
Apesar de sua breve história nas comunicações – acredita-se que o primeiro diário virtual surgiu em 1993, nos EUA – os blogs hoje são uma das grandes fontes de informação e entretenimento no mundo. Estudo divulgado em 2008 pelo site Technorati, que monitora a blogosfera em mais de 81 línguas, registrou a criação de mais de 133 milhões de blogs desde 2002. Vários deles estão entre os principais veículos da Web. Dos dez maiores sites de entretenimento americanos, quatro são blogs.
No Brasil, os blogs surgiram em 1998. Em 2005, foram criados os primeiros conteúdos sobre segurança pública e criminalidade. Desde então, as páginas dedicadas a estes temas cresceram em ritmo acelerado e com uma particularidade: a maior parte delas é assinada por policiais civis e militares. Levantamento recente feito pelo blog Abordagem Policial identificou 59 páginas produzidas exclusivamente por policiais de 14 estados brasileiros. Mais
Jornal EXTRA – GLOBO
Rio é campeão na blogosfera policial que já tem 56 títulos
Jorge Barroso, Réporter de Crime
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/posts/2009/01/21/rio-campeao-na-blogosfera-policial-que-ja-tem-56-titulos-155429.asp
Uma revolução acontece nos bastidores da segurança pública e pouca gente se dá conta. Cresce o número de policiais brasileiros que estão fazendo blogs. Muitos deles enfrentam oposição de seus chefes. Alguns já foram publicamente censurados pelas corregedorias de suas corporações. Outros respondem a sindicâncias. Se querem saber minha opinião, sou plenamente a favor de blogs feitos por policiais. O blog é um direito de todo cidadão. É claro que isso não dá a ninguém o direito de, sobretudo por meio de apelidos, ofender a quem quer que seja. Mas hoje em dia é simplemente é impossível se dizer que há liberdade em algum lugar sem a existência de blog.
Dos 56 blogs de policiais e ex-policiais, 27 são do Rio de Janeiro. Os blogs de policiais variam de simples diários até análises sofisticadas de segurança pública e criminalidade.
O inventário desses 56 blogs foi publicado no Diário de um Policial Militar, do tenente da PM Alexandre de Souza. É um excelente blog feito por policial. Eu recomendo.
A liberdade de pensamento
Por Aurílio Nascimento, 16.4.2009
Alguém disse que os militares não pensam e não podem pensar. O militarismo é baseado na hierarquia e disciplina e, assim sendo, não se admite um cabo discutindo ordens com um sargento. Este, por sua vez, obedece e não discute com o tenente, e assim por diante. O capitão levanta para dar o lugar ao major, e este tem que obedecer ao tenente-coronel. Se não têm liberdade de pensamento, pois obedecem sem questionar, logo não pensam, pois o pensamento ou é livre ou não é pensamento. Pode-se imaginar que seria possível a existência de uma força militar sem estes requisitos? Impossível.
Os militares existem para guerrear, e, para fazer a guerra, não se pode discutir, exceto se a ordem for manifestamente ilegal, e fica difícil para quem não pensa determinar tal ilegalidade.
O fenômeno surgido com a democratização da rede mundial de computadores levou à criação da chamada blogosfera policial. Espaço em que policiais colocam os problemas vividos diariamente, questionam e debatem com a sociedade. Nada mais democrático, nada mais salutar. Quem vivencia o problema conta como acontece, quais são suas necessidades, suas angústias, seus sonhos.
Vários são os blogs criados por policiais militares e civis. Estes últimos não sofrem aparentemente nenhuma restrição à manifestação do pensamento, o que, aliás, é garantido na Constituição Federal. Já aqueles em sua maioria se escondem atrás de apelidos, e quem for descoberto é punido. No Rio de Janeiro, vários PMs já sofreram punições por se manifestarem na internet. Outros foram presos.
Recentemente, aconteceu um fórum sobre blogs policiais, e alguns dos seus criadores foram entrevistados pelo blogueiro do Repórter do Crime, o incansável Jorge Antonio Barros. Os militares agradeceram a tolerância de seus comandantes, permitindo que mantivessem uma página na rede mundial de computadores, como se isso fosse um grande favor. Agora pergunto: até onde esses policiais possuem liberdade para escrever o que pensam? Como dito lá em cima, ou o pensamento é livre ou não é pensamento. Como alguém pode se expressar livremente se tem que ficar atento e não melindrar seus superiores?
Militares exercendo função civil, como o policiamento ostensivo, é um grande erro, pois, se são tolhidos da sua capacidade de pensar, logo não podem agir corretamente, já que o pensamento antecede à ação. Forças militares são imprescindíveis a qualquer país, mas não ao seu dia a dia. Rever a anacrônica proibição, reformulando o regimento interno das PMs, tornado-os mais próximos da sociedade civil, depende da escolha dos cidadãos sobre que tipo de polícia ostensiva deseja. A confirmação do que foi dito pode ser vista comparando-se Esparta e Atenas. Aquela era o quartel, o treinamento, a preparação para a guerra. Esta era a liberdade, o pensamento livre, o questionamento. Esparta é apenas um registro na história. Atenas é à base de todo o conhecimento ocidental.
http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/nascimento/posts/2009/04/16/a-liberdade-de-pensamento-177760.asp
Blogs de policiais abrem janelas no cotidiano da polícia
por Jorge Antonio Barros, 09.4.2009
Repórter de Crime – GLOBO
Num futuro não muito distante, pesquisadores vão descobrir na internet que no início do século 21 as corporações policiais foram bastante afetadas por um fenômeno mundial, responsável por uma pequena revolução nos veículos de comunicação social – os blogs. Em apenas quatro anos, desde que o fenômeno dos blogs chegou com mais força ao Brasil, a comunidade de blogs feitos por policiais civis e militares – a chamada blogosfera policial – já chega a 59 títulos, 27 dos quais lançados de plataformas digitais no Rio de Janeiro, um estado sempre na vanguarda.
Não resta dúvida de que blogs – como qualquer outro veículo de comunicação – podem ser usados para o bem ou para o mal. Mas, em razão do grande poder de difusão na grande rede e do alto nível de interatividade com a audiência, os blogs são verdadeiras janelas em quartéis e delegacias de polícia muitas vezes impermeáveis ao cidadão comum. Eles contribuem de forma decisiva para um processo de democratização dentro das organizações policiais, que é fundamental para a reaproximação da polícia à sociedade, sobretudo em países como o nosso, onde ditaduras como a de 37 e a de 1964 ajudaram a aumentar esse fosso. Outro aspecto importantíssimo é um sinal de busca pela transparência por parte desses policiais que fazem blog. Raramente se verá entre eles algum que defenda valores que não condizem com a democracia.
O fenômeno da blogosfera policial é tão importante que já está sendo alvo de pesquisa inédita da Unesco, encomendada às pesquisadoras Sílvia Ramos e Anabela Paiva, do Cesec. Na sexta-feira passada, Sílvia coordenou em Vitória a mesa redonda sobre blogs e segurança pública, da qual participaram eu, Eduardo Machado (PE Body Count), e os policiais militares Danillo Ferreira (Bahia) e Robson Niedson (Goiás). Machado alertou para a responsabilidade dos comentaristas em blogs de segurança pública.
Pela primeira vez na internet este blog mostra o rosto dos policiais Danillo e Robson, cujos blogs são campeões de audiência na internet. Eles falam sobre as dificuldades de um policial blogar e sobre a alternativa do anonimato encontrada por alguns policiais para permanecer na blogosfera. Eles conseguiram superar essa fase e contam com o respeito e até a admiração de seus superiores. Robson, por exemplo, convenceu o comandante-geral da PM de Goiás a ter seu próprio blog, que já está bombando.
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/posts/2009/04/09/blogs-de-policiais-abrem-janelas-no-cotidiano-da-policia-176027.asp
Policiais blogueiros denunciam censura e até prisão
Publicado em 10.04.2009, às 17h47
no G1, JC ONLINE,
Se um dos motivos da proliferação dos blogs feitos por policiais foi a possibilidade de ter liberdade de expressão, a experiência mostrou que, no caso deles, até na internet há censura. Policiais que se aventuram a manifestar suas insatisfações e críticas a comandantes na “Blogosfera Policial”, além de manifestações políticas, convivem com a possibilidade de sanções que vão de repreensões a até prisões.
Não há, oficialmente, nenhuma regra no regimento policial militar que proíba o agente de segurança de manter um diário virtual na internet. Como qualquer cidadão, ele tem direito a se expressar livremente. Agora, quando se identifica como PM, está sujeito às punições previstas em regimento da corporação.
“Existe uma limitação à expressão de militares”, afirma Danillo Ferreira, do blog “Abordagem Policial”. Em um vídeo publicado no site YouTube e reproduzido em diversos dos blogs policiais, o coronel
Ronaldo de Menezes comenta sobre os quatro dias em que cumpriu prisão disciplinar no 4º Comando de Policiamento de Área segundo ele por ter publicado artigo na internet sobre a segurança pública no Rio. O deputado estadual Flávio Bolsonaro denunciou em discurso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que o capitão Luiz Alexandre da Costa ia ser transferido de posto ao manifestar solidariedade ao coronel preso. Sua transferência acabou não sendo confirmada. Em seu blog, “Luiz Alexandre – Capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro”, o capitão acabou não comentando o fato, embora desde a denúncia, no dia 17 de março, tenha ficado quase 20 dias sem atualizar a página – ele explica que por problema de saúde de pessoa próxima à família. Procurado por telefone e e-mail, o Comando-Geral da
PM do Rio não retornou para falar sobre os casos específicos de punições a policiais.
De acordo com o artigo 166 do Código Penal Militar – aplicado tanto na PM como no Exército – é proibida a manifestação pública de críticas a superiores por parte do militar. Segundo a socióloga Silvia Ramos, da Universidade Cândido Mendes, que está fazendo uma pesquisa sobre os blogs policiais, há um receio muito grande por parte dos PMs de se manifestarem. “Imagine que uma crítica no caso deles pode levar à prisão, então é complicado”. Ela admite inclusive que tem encontrado obstáculos na sua pesquisa para chegar aos blogueiros policiais para obter entrevistas. “Muitos deles não aceitam falar, precisam de autorização superior, e acabam tendo muito receio”, conta. Até mesmo a participação de alguns policiais blogueiros no Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi proibida.
No Regimento Disciplinar da Polícia Militar do Rio de Janeiro, de 2002, não há uma proibição expressa à manifestação de policiais em blogs. Contudo, o artigo 3 do documento diz que “a hierarquia e a disciplina são a base institucional da Polícia Militar”. Assim, entre as infrações disciplinares consideradas graves estão “ofender, provocar ou desafiar seu superior, igual ou subordinado, com palavras, gestos ou ações” e “publicar ou fornecer dados para publicação de documentos em que seja recomendado o sigilo sem permissão ou ordem da autoridade competente”, delitos em que, dependendo de análise da autoridade militar, podem ser enquadrados os policiais que manifestarem opiniões críticas publicamente, caso da web.
A punição aos policiais é estabelecida em processos administrativos internos da corporação. Como não há uma determinação expressa sobre a internet, cada caso é avaliado individualmente e, se o comando julgar que há razões para a instauração do processo, o policial é comunicado e tem acesso a ampla defesa. Entre as penas, além da prisão, há a possibilidade de afastamento.
Um caso emblemático é o do major Wanderby Medeiros, que em seu blog se define como “‘criminoso militar’ em série confesso”. Ele já recebeu diversas repreensões por postagens em seu blog e agora foi denunciado, com base no artigo 166 do Código Penal Militar, por críticas ao chefe do Estado Maior, coronel Antônio Carlos Suárez David, e ao comandante-geral da PM do Rio, Gilson Pitta Lopes.
“Fui excluído do quadro de acesso a promoções e agora posso ser transferido para a inatividade sob alegação de ‘insuficiência moral’”, denuncia Wanderby, que afirma que seu caso é inédito. “É um sentimento grande de injustiça, mas não tenho medo. Em hipótese nenhuma deixaria de escrever o que escrevo”, afirma. Sua página reúne diversos textos e enquetes com ácidas críticas ao comando da PM, ao secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, e até ao governador Sérgio Cabral (PMDB). “Sem o direito à manifestação de opinião não há democracia plena”, diz.
CIVIS – As punições a PMs que se aventuram a dar opiniões na internet acabam chamando mais a atenção por conta da rigidez, dada a estrutura hierárquica militar. Contudo, policiais civis também podem sofrer sanções por conta do que publicam na web. Em São Paulo, ficou marcado o caso do blog “Flit Paralisante”, do delegado da Polícia Civil Roberto Conde Guerra, que trazia críticas ao governo estadual. Blog muito ativo durante a greve da Polícia Civil paulista no ano passado, teve de retirar conteúdo do ar por ordem judicial. Como a estrutura das duas polícias é diferente, o policial civil não está submetido ao Código Penal Militar.
Fonte: AE
http://jc.uol.com.br/canal/cotidiano/nacional/noticia/2009/04/10/policiais-blogueiros-denunciam-censura-e-ate-prisao-184154.php
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1080904-5598,00-POLICIAIS+BLOGUEIROS+DENUNCIAM+CENSURA+E+ATE+PRISAO.html
Blogosfera policial cresce e obtém repercussão
Paulo lopes Weblog – 30 de Julho de 2008
http://www.e-paulopes.blogspot.com/2008/07/blogosfera-policial-cresce-e-obtm.html
O tenente Alexandre de Sousa escreveu no seu blog, o Diário de Um PM, que, se estivesse no lugar do policial que, em revide, atirou em um assaltante em fuga e atingiu (e matou) o dono do carro, também teria feito o disparo. Porque ele não tinha como saber que o bandido tinha seqüestrado o dono carro. Na sexta, 25, o post do Sousa virou notícia no Estadão. Souza teria sido advertido por seus superiores por causado do que escreveu.
O major Wanderby foi repreendido três vezes pelo que escreveu em seu blog. Uma vez por criticar o péssimo estado de uma cabina de trabalho e duas por ter sido impedido de participar de manifesto por melhoria no salário.
Escorraçado das investigações que apuram os crimes financeiros de Daniel Dantas, o delegado da Polícia Federal Protógones Queiroz abriu um blog.
Esses exemplos, entre outros, mostram que policiais estão recorrendo aos blogs cada vez mais para se manifestarem e o que escrevem começa a repercutir além dos círculos aos quais pertencem.
A blogosfera policial vem tendo rápida expansão em todo o país, com destaque para o Rio. O Diário de Um PM é um dos mais acessados. A sua média diária de visitantes únicos é de 4 mil e já teve pico de 10 mil.
O Diário tem um link que remete ao PMTUBE, onde são postados vídeos do Youtube que tratam da questão policial e da violência.
Um vídeo recentemente postado mostra, sob a música “Pra não dizer que não falei das Flores”, de Geraldo Vandré, o enterro de um PM morto em serviço, com closes para o sofrimento expresso no rosto dos familiares do policial. Diz o título do post do vídeo: “Realidade da PMERJ: policiais estão morrendo por salário de miséria”.
Há ali também vídeos que expõem a truculência da polícia. É o caso de um que foi transmitido em 1995 pelo Jornal Nacional e que mostra um PM do Rio matando um suspeito atrás de uma Kombi. O cinegrafista não consegue as imagens do policial dando o tiro no suspeito, por causa da Kombi, mas o som dos disparos é muito claro. Esse vídeo é um “clássico”, escreve Sousa.
Os dois vídeos estão postados abaixo.
Entre os mais acessados estão também o Abordagem Policial, Caso de Polícia, Blog da Segurança Pública e Praças da PMERJ.
O soldado e blogueiro Robson Niedson de Medeiros Martins (foto), da Polícia Militar de Goiás, diz que é difícil saber o tamanho da blogosfera policial por causa da constante criação de novos endereços e da extinção de outros. Porém ele estima que de um ano para cá a quantidade de blogs de policiais mais que dobrou.
Técnico em informática, Niedson é um blogueiro entusiasmado – é autor do blog Stive. Foi ele que publicou a informação da punição ao major Wanderby. Informação, diz, que obteve do serviço de inteligência da PM.
O blog Stive (nome que no jargão policial significa parceiro da segurança pública) foi criado há cinco meses.
“No Stive, mantenho um condomínio de blogs policiais convidados, para os quais dou suporte gratuitamente”, afirma Niedson, com quem mantive contato por e-mail. Por enquanto, há dez blogs cadastrados no Stive.
A blogosfera policial é tão diversificada quanto qualquer outra. Os blogs são opinativos (geralmente de crítica às condições de trabalho e à política de segurança pública), informativos, de entretenimento, científicos, biográficos e alguns misturam um pouco de tudo isso.
A maioria dos blogs é de policiais militares. A explicação de Niedson é de que o contingente da Polícia Civil é bem menor em relação ao da Polícia Militar. Ele informa que em São Paulo há um policial civil, o Roger, que é blogueiro. Mas Roger não assina seus posts, que se apresentam mais como exercícios literários.
Alguns blogs têm nomes sugestivos, como Blog da Insegurança, Campo de Batalha Terrestre, Cordel de Bola de Fogo, Flit Paralisante, Esposa de Praça de Praça da PM, O Alvo da Chibata e Um Conto de Fardas. Poucos deles são atualizados diariamente.
O difícil, nos blogs do Rio, é encontrar um elogio ao governador Sérgio Cabral (PMDB) e muito menos ao secretário de Segurança José Mariano Beltrame.
As críticas não se refere só ao governo, mas também à população por supostamente não dar o devido valor aos policiais militares, que ganham mal, embora arrisquem a vida todos os dias.
Sílvia Alves, casada com um cabo e blogueira do Esposa de Praça da PM, escreve que está “cansada das injustiças, do descaso e do ódio popular cometidos contras os nossos PPMM, em particular o meu!” Ela diz que, mesmo assim, seu marido tem orgulho de ser policial.
Nem por isso Sílvia deixa de se comover com a dor do taxista cujo filho de três anos foi morto recentemente pela imprudência de um PM do Rio.
Mas, de uma maneira geral, pouco se questiona a violência policial que, de fato, assusta a população, principalmente a do Rio. Essa truculência é sempre colocada na perspectiva de que é conseqüência dos baixos salários e da falta de treinamento e de equipamentos.
Niedson afirma que existem a blogosfera policiais que defendem os direitos humanos e me deu um exemplo. Fui conferir, mas não me convenci. Trata-se de policial que foi da Rota, corporação de São Paulo que inspira terror entre marginais, mas também entre a população da periferia mais pobre da cidade.
Entre os blogs policiais, há um com o nome de Liberdade de Expressão, de um soldado do Piauí que não revela o seu nome. “Estamos numa democracia. Vamos Exercer o nosso direto à Liberdade de Expressão”, escreve.
Pelo regulamento, o policial militar não pode criticar a instituição nem a hierarquia, ainda mais em público, na internet.
Como se ter então a liberdade de expressão? Recorrendo ao anonimato, como faz o soldado do Piauí e outros.
Niedson afirma que o policial que “não mede o que diz” corre o risco de ser inquirido por abusos administrativos.
Mesmo assim, blogosfera policial brasileira tende a se manter em expansão.
ATUALIZAÇÃO
A propósito da punição ao major Wanderby, escreveu o tenente Alexandre de Sousa:
“Talvez um dos maiores empecilhos para o surgimento de novos blogs mantidos por policiais, principalmente os militares, seja o nosso regulamento disciplinar e o medo de ser punido.
O regulamento disciplinar da Polícia Militar do Rio de Janeiro (e de vários outros estados) é bem claro quando diz, em seu item 101, que é transgressão disciplinar: “Discutir, ou provocar discussões, por qualquer veículo de comunicação, sobre assuntos políticos, militares ou Policiais Militares, excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica, quando devidamente autorizados.”
Ou seja, todos nós, blogueiros policiais militares, somos transgressores da disciplina e estamos sujeitos a sanções. Mas ué? A Constituição Federal, a nossa lei maior, acima de todas as outras, não garante a liberdade de expressão? Sim, está lá no artigo 5º:
“IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.
Delegado do caso Dantas agora tem um blog
Paulo lopes Weblog – 27 / 07 /2008
http://e-paulopes.blogspot.com/2008/07/delegado-do-caso-dantas-agora-tem-um.html
Ele é o delegado da Polícia Federal da Operação Satiagraha que, com autorização do juiz federal Fausto Martin De Sanctis, prendeu duas vezes o banqueiro Daniel Dantas.
Queiroz foi afastado das investigações pelo governo porque, entre outras coisas, ele grampeou conversas telefônicas do ex-deputado petista e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência da República.
No blog, na página do perfil do autor, há a informação da prisão do banqueiro e da sua controvertida saída das investigações. Também há a menção de que foi ele quem prendeu Paulo Maluf, o contrabandista Law Kin Chong, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, de São Paulo.
Até agora, Queiroz não escreveu nada. Ele só fez quatro transcrições: uma mensagem de Gandhi e três notícias que lhes são favoráveis – uma delas informa que um motorista pediu à Justiça para que ele reassuma as investigações.
Vários leitores lhe hipotecam apoio, na linha de o “Brasil precisa de gente como você”.
Queiroz tem de fato um belo currículo. Mas na Operação Satiagraha cometeu atrapalhadas e abuso de autoridade.
Ele deveria, sim, pedir à Justiça a prisão de Dantas, Pitta e Nahas. Mas se excedeu ao querer prender também uma jornalista da Folha, a Andréa Michael, sob a acusação de ela pertencer à quadrilha de crimes financeiros.
A jornalista apenas fez o seu trabalho com competência: publicou antes de todos que Dantas estava sob a mira da PF. Caberia a Queiroz, e não a ela, preservar o sigilo das investigações. A Justiça não autorizou a prisão.
Queiroz também foi ingênuo em grampear o petista (e também lobista de Dantas) Greenhalgh e o Gilberto Carvalho, amigo de Lula, com a presunção de que ele seria mantido no cargo. Não foi.
O delegado tem muito a dizer, mas ele não o fará em seu blog, que, por visto, só servirá para transcrições de textos de Ghandi e de notícias e manifestações elogiosas ao trabalho dele.
O blog do trabalhador
Texto Nina Weingrill, Revista Super Interessante, Editora Abril
Quem sofrer um acidente em Londres corre o risco de ficar famoso na internet. É que o paramédico inglês Tom Reynolds tem uma mania comum a mais de 60 milhões de pessoas: blogar. Longe dos diários adolescentes, das páginas de denúncias e dos blogs ranzinzas sobre política, o dele mostra doidices da rotina de trabalho e dos pacientes que ajuda a salvar. Reynolds não é o único blogueiro que fala do próprio trabalho. Aqui no Brasil, o oficial militar carioca Alexandre de Souza, o taxista gaúcho Mauro Castro e a aeromoça paulista Paula de Paula (comissariadebordo.blogspot.com) também entraram na onda e têm até livros publicados com os dramas da vida profissional, as pessoas que conhecem e as situações absurdas que vivem durante o trabalho. “Assim conseguimos falar de coisas que acontecem in loco e que a mídia tradicional não conta”, afirma Alexandre, criador do blog Diário de um PM.
Na ambulancia
Sentado do lado de fora do hospital, eu vi seus avós chorar. Eles estavam acabados. Há 23 anos, eles provavelmente agradeceram a Deus por você ter nascido saudável. Imaginavam você como um médico, um professor, um pai. Agora você está morto, e por quê? Porque você usou heroína, porque você queria o prazer acima de qualquer outra coisa. Eu não ligo para você.” randomreality.blogware.com/blog
No táxi
A velhinha entra no táxi com dificuldade. Apesar da artrite, da esclerose, da vista curta e da grana pouca, a distinta senhora não perde a pose. Nariz empinado, as duas mãos sobre o cabo da bengala, braços estendidos, dá o destino da corrida com português correto: ‘Até a próxima esquina, por obséquio’. Corridinha curta como coice de porco.” www.taxitramas.blogger.com.br
No camburão
Ontem o major Wanderby publicou o quadro de salários da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Esses devem ser os valores brutos, porque meu salário de aluno oficial era bem menor que isso (R$ 724). Mas dá pra ter uma idéia: daqui a 30 anos vou receber mais de 7 pilas de caraminguá!!! Uau!” http://diariodeumpm.net



Eu gostaria de fazer um pequeno cometário sobre o soldado Robson Niedson, do blog “Diário do Stive”. Aqui em Goiás ele ajudou construiu vários blogs. Mas ao mesmo tempo usou seus conhecimentos de Informática para tirar o meu blog Sargento Roque do ar. O motivo foi justamente quando ele observou que esse blog estava se tornando uma referencia para os policiais militares em Goias . Até hoje ele é mantedor das minhas informações e nunca repassou para mim. Então , ele fica fazendo de santinho aqui nas nossas redes sociais, mas no fundo agi contra a própria classe de militares do País. Fica aqui registrado a minha indignação contra o Soldado Robson Niedson.